Stage Finance: a lógica por trás do funding de Startups

Stage Finance: a lógica por trás do funding de Startups

Para falarmos de Stage Finance, devemos entender que, diferente das empresas convencionais, os modelos de negócios inovadores demandam uma visão diferenciada quando se trata de financiar seu crescimento. A criatividade e a inteligência devem estar associadas na busca de melhores soluções e oportunidades de negócio.

Para isso, é fundamental entender a lógica que rege o desenvolvimento das empresas inovadoras e as formas coerentes de atuar com Startups. É o caminho mais natural e indicado para obter os melhores resultados tanto para quem investe quanto para quem empreende – ajustando as expectativas de retorno por tipo de investidor e protegendo a participação do empreendedor ao longo do processo. Esse é o ponto de partida do conceito de Stage Finance.

O Stage Finance, também conhecido como investimento seriado, contém lógica e racional internos para cada fase de evolução da empresa. Cada um deles exige tipos e volumes de investimentos diferentes.

Para entender melhor como funciona cada estágio evolutivo de um negócio inovador e como eles podem ser financiados pelo Stage Finance, continue lendo este artigo.

Desenvolvimento por etapas

Os ciclos de desenvolvimento e maturidade de Startups e demais negócios inovadores apresentam características próprias. Os investidores precisam entendê-las para que possam desenvolver teses de investimento mais coerentes e ajustar suas expectativas de risco e retorno. O mesmo se aplica aos empreendedores, que podem otimizar sua captação ao compreender melhor essas etapas e evoluir no processo com um cap table saudável e adequado, garantindo viabilidade para execução de cada etapa.

Toda startup busca um modelo de negócios escalável e replicável, que, a partir do momento que encontra seu product-market-fit, entra em uma briga contra o tempo para se estabelecer no mercado e crescer rapidamente. Esse movimento de escalda de negócios comumente consome muitos recursos.

Como já vimos neste artigo, durante um bom tempo a startup opera consumindo caixa (J-Curve), o que implica uma capacidade de financiamento limitada – deixando a startup sem alternativas senão o financiamento via venda de equity (ou seja, participação acionária na empresa). Como esse é o financiamento mais caro possível para uma empresa, deve ser feito com cuidado e atenção.

No início de sua empreitada, a startup tem um valor de mercado (valuation) bastante frágil e questionável. Em outras palavras, trata-se do pior momento para se buscar liquidez de mercado. Daí se justifica o Stage Finance: o empreendedor vai vendendo equity paulatinamente de acordo com sua necessidade para evoluir os estágios da startup – ao invés de captar de uma vez todo o capital necessário para execução de seu Plano de Negócios completo (que, inclusive, pode nem estar tão claro e completo ao empreendedor nas fases iniciais da empresa)

Ao mesmo tempo em que se evolui nos estágios, a startup supera riscos, comprova valor de mercado e, consequentemente, encorpa seu valuation. Isso atenua o efeito de diluição sobre a participação do empreendedor ao longo de todo o processo. Em resumo, entre as vantagens de conhecer o Stage Finance podemos destacar:

  • diluição e ajuste do risco;
  • proteção da participação do empreendedor;
  • otimização do investimento;
  • maior inteligência na alocação de recursos;
  • eficiência na seleção de projetos;
  • maior clareza na apresentação do projeto;
  • melhor desenho de planos estratégicos; e
  • objetivos e metas melhor definidos.

Stage Finance em quatro etapas

De acordo com a necessidade de capital de Startups, podemos dividir em quatro as fases pelas quais geralmente percorrem durante sua vida. Claro que podem e existem muitas exceções, mas este é um modelo mental que guia boa parte do mercado de investimento em inovação.

1. Capital Semente (Seed Capital)

É a fase em que os fundamentos do negócio estão sendo desenvolvidos. Os conceitos de sua aplicação estão sendo discutidos e aperfeiçoados.

Precisam de capital para: desenvolvimento das ideias e testes de conceito, desenvolvimento das soluções do modelo de negócio, testes de mercado.

Os principais investidores são: amigos e família, investidores anjo, incubadoras e aceleradoras.

2. Série A

É quando se começa o desenvolvimento de produtos em um formato mais bem-acabado. E é nesta etapa que surgem as receitas iniciais, se testam os unit economics do negócio e alguns itens da tese de escalabilidade. Neste período a startup já tem mais estrutura e ganha cara de empresa.

Precisam de capital para: evolução das soluções e consolidação do product-market fit, tração para cruzar abismo entre essa e a próxima fase.

Os principais investidores são: fundos de venture capital e super-angels (investidores anjo particularmente sofisticados e bem conectados).

3. Série B e C

Com o desenvolvimento das vendas e do marketing, há um sensível aumento na receita. Não se trata mais de uma startup. A empresa está em fase de escalada, que já demonstra seus ganhos, e é iniciada a consolidação do posicionamento de mercado.

Precisam de capital para: plano de negócios de crescimento, isso é, crescimento de receitas e de base de clientes e estruturação da empresa em uma organização completa.

Os principais investidores são: fundos de venture capital e private equity.

4. Série D em diante

Estágio marcado pelo crescimento da produtividade, criação de novos canais de distribuição e consolidação do negócio.

Precisam de capital para: desenvolvimento de novos mercados, consolidação da marca, do produto e expansão do modelo de negócios.

Os principais investidores são: venture capital, private equity, IPO (Oferta Inicial de Ações).

 

 

Acompanhamento do potencial

Ao conhecer em profundidade cada um dessas fases do Stage Finance, investidores e empresários podem estabelecer parâmetros para o avanço de cada um deles. Assim, fica mais fácil não apenas definir metas como também acompanhar a evolução da startup.

Com parâmetros mais bem definidos, os riscos se tornam menores e mais simples de serem ponderados. Da mesma forma, torna-se mais ágil e precisa a mensuração do desempenho, bem como eventuais ajustes.

De forma simplificada, podemos dizer que cada estágio é como um teste. Ao passar para a fase seguinte, o empreendimento torna-se mais valioso. E isso acontece porque o negócio consegue provar seu potencial de escalabilidade, assim como mostra a capacidade de gestão de quem está empreendendo.

Portanto, entender a lógica do Stage Finance e os ciclos de desenvolvimento de Startups é uma ferramenta essencial para investidores. É também fundamental para quem empreende. Por meio desse conceito é possível pensar e criar saídas para gargalos de investimento e financiamento de novas empresas e pequenos negócios com potencial de escala.

 

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