Entenda o mercado de crédito brasileiro diante da crise

Entenda o mercado de crédito brasileiro diante da crise

Em qualquer país, o mercado de crédito é essencial para o desenvolvimento econômico e para estimular um ambiente de negócios saudável e produtivo. No Brasil não é diferente. No entanto, há algumas características em nossa dinâmica de oferta de crédito que se apresentam como desafios a serem superados.

Como em qualquer área do conhecimento, superar tais desafios e alcançar o melhor do potencial existente passa, antes de tudo, por entender os problemas e os mecanismos por trás deles. É a partir dessa compreensão que poderão surgir soluções criativas e inteligentes, capazes de contornar barreiras e propor saídas inovadoras.

Por isso, preparamos este artigo. Temos o objetivo de explicar as dinâmicas do mercado de crédito diante da crise. Continue lendo e entenda melhor essa questão.

O mercado de crédito brasileiro

De acordo com o Banco Central (BC), em janeiro de 2017 a carteira de crédito do país somava R$ 3.074 bilhões. Desse valor, 50,9% era destinado a pessoas físicas e 49,1% destinado a pessoas jurídicas. Um mercado aparentemente robusto em termos absolutos, mas nem tanto em termos relativos.

Na mesma época, esse volume de crédito representava 48,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Muito diferente do apresentado em países como EUA (199,5%) ou Reino Unido (230,45%). E também muito abaixo da média mundial registrada em dezembro de 2015 (128,1%).

Essa comparação dá uma ideia do quanto esse mercado ainda pode evoluir e se aperfeiçoar, tanto no volume da oferta quanto nos mecanismos pelos quais ela pode acontecer.

Concentração da oferta de crédito

Um relatório divulgado pelo BC em abril de 2017 mostrava que 79% do crédito no Brasil estava concentrado nas mãos de quatro bancos:

  • Caixa Econômica Federal;
  • Banco do Brasil;
  • Bradesco;
  • Itaú Unibanco.

Essa concentração dá a estas instituições um grande poder para determinar as políticas de crédito. Isso também faz com que fiquem acomodadas em um modelo de negócio ancorado na cobrança de tarifas, deixando em segundo lugar soluções para o desenvolvimento do crédito e dos negócios.

Vários fatores permitem a manutenção desse cenário, sendo a falta de concorrência  um deles, E isso prejudica a indústria e os negócios inovadores como um todo.

Para se ter uma ideia, somente no primeiro semestre de 2016 o faturamento com tarifa de alguns bancos foi o seguinte:

  • Santander: R$ 7,9 bilhões;
  • Bradesco R$ 13,12 bilhões;
  • Itaú Unibanco: R$ 21,27 bilhões.

E, entre 2015 e 2016, a inflação do custo de tarifas bancárias ficou acima de 130%.

Como a inadimplência impactou o mercado de crédito

Um aspecto absolutamente determinante para a evolução ou recuo do mercado de crédito é a taxa de inadimplência. Afinal, esse índice interfere diretamente no custo do capital e na avaliação de risco. Embora, nesta questão o retrospecto de longo prazo tenha sido positivo, a última crise trouxe um aumento preocupante aos índices de inadimplência do país.

Dados do BC indicam que de julho de 2015 a janeiro de 2017 a evolução da taxa de inadimplência acima de 90 dias evoluiu da seguinte maneira:

Pessoa física: de 3,7% para 4%.
Pessoa jurídica: de 2,4% para 3,5%.
Total: de 3% para 3,7%.

Qual o custo do dinheiro?

Há uma de fatores que criam condições para que o País tenha um dos maiores spreads bancário do mundo. Dentre as principais podemos citar:

  • a concentração do crédito;
  • o modelo de negócio de bancos baseado em cobrança de tarifas;
  • a inadimplência crescente e a elevada taxa básica de juros (Selic).

O spread é a diferença entre o custo de captação do capital e o custo do empréstimo desse capital. Em 2015, o Brasil possuía a terceira maior taxa média para empréstimo corporativo do mundo. Era de 32% a.a. Enquanto isso, vizinhos latino-americanos se mostravam muito mais competitivos, com a Argentina tendo uma taxa de 24% a.a., o Paraguai com 21,2% a.a. e o Chile com 8,1% a.a.

Reais impactos da crise

2014 foi ano em que se deu o início da crise econômica pela qual vem passando o Brasil. E durante todo esse período até a atualidade, o mercado de crédito encolheu consideravelmente.

De 2015 a 2017, os spreads subiram para 32,8%, enquanto o custo de captação caiu 2,3%, de acordo com estudo do Instituto de Desenvolvimento do Varejo.

Um artigo publicado no jornal Valor Econômico em dezembro de 2016 mostrou que naquele ano a concessão de crédito para pessoas jurídicas havia recuado muito. Esse tipo de cenário tinha sido visto apenas em 2003.

Segundo o BC, entre 2014 e 2016, o mercado de empréstimo corporativo sofreu com o impacto da queda da carteira de crédito e a subida do spread. Com menor oferta de crédito e com um custo muito maior, o investimento despencou – tudo isso agravado com a crise política e institucional (veja gráfico abaixo).

O mercado de crédito para PMEs inovadoras

Todo esse cenário é ainda mais complexo para a realidade das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). Especialmente se levarmos em conta que cerca de 53% do crédito disponível para pessoas jurídicas é consumido por grandes empresas, com faturamento acima de R$ 300 milhões.

Além disso,  a situação se torna ainda mais difícil quando se trata de PMEs inovadoras, como startups. Principalmente por surgirem com modelos de negócios que não podem ser avaliados sob a mesma lógica de negócios tradicionais. Para entender melhor isso, leia este outro artigo.

Entre outras coisas, os critérios convencionais que os bancos utilizam para concessão de crédito não podem ser aplicados de modo automático. Para avaliar corretamente essas empresas é necessário novos olhares e perspectivas sobre financiamento. E é principalmente muito importante avaliar a capacidade de crescimento delas.

A realidade do crédito no Brasil e a crise econômica dos últimos anos mostram a necessidade de muitas mudanças na estrutura do mercado de crédito. Os agentes financeiros precisam se modernizar a fim de enxergar as grandes oportunidades de negócio. Enquanto esse cenário não muda, a saída tem sido encontrar alternativas criativas e inteligentes para atender a demanda.

E embora o cenário ainda seja incerto, há indícios de melhora, como mostra a mínima histórica de 7% da taxa Selic. Isso abre perspectivas para quem está disposto a encontrar saídas inovadoras e engenhosas de acesso ao capital.

 

Gostaria de conhecer alternativas de créditos para impulsionar seu empreendimento inovador. Então entre em contato que vamos lhe ajudar.

 

 

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