Empreendedorismo inovador no Brasil: por que não crédito?

Empreendedorismo inovador no Brasil: por que não crédito?

O empreendedorismo inovador no Brasil enfrenta diariamente uma série de desafios para atingir seu potencial. Muitos fatores estão por trás disso, como infraestrutura deficiente, burocracia excessiva, ambiente pouco favorável e, muitas vezes, uma visão de negócios que não acompanha o ritmo das inovações.

Porém, poucos obstáculos são mais graves do que a dificuldade de financiar novas ideias e novos modelos de empreendedorismo inovador. Há uma série de elementos que contribuem para isso. O principal talvez seja o descompasso entre os caminhos de desenvolvimento dos novos modelos de negócio e a estrutura do mercado de capitais do Brasil – ainda muito permeado por visão e mentalidade demasiado tradicionais.

Para contornar esses obstáculos são necessárias abordagens também inovadoras, capazes de articular criatividade e inteligência na hora de analisar o empreendedorismo inovador. Isso significa identificar os fundamentos essenciais de crédito mesmo que sob uma nova roupagem.

Dessa maneira, sempre que se pensa em empreendedorismo inovador, logo se descarta o crédito como forma de financiamento (funding). Tanto empreendedores quanto agentes financiadores – especialmente os mais tradicionais – torcem o nariz para o assunto, pois já têm uma grande pré-concepção de que não há encontro possível nesse jogo.

A verdade é que há, mas demanda entender de onde essa situação surgiu, como é o mercado de crédito brasileiro e por que ele não se faz como obvio para negócios inovadores. Como veremos em outros artigos, o crédito é uma ferramenta poderosa para empreendedores acelerarem seus planos de investimento e protegerem sua participação no negócio.

 

 

Os problemas do crédito para o empreendedorismo inovador

Antes de tudo, é preciso entender porque o acesso ao crédito parece tão difícil para negócios inovadores, especialmente start ups. O mercado de crédito brasileiro está ancorado em modelos que nem sempre se aplicam a novos tipos de empresas, como startups e PMEs (Pequenas e Médias Empresas) inovadoras (tratamos disso neste artigo).

Superar os obstáculos impostos por esse mercado requer uma compreensão mais detalhada de como eles se configuram e quais, exatamente, são essas barreiras. Basicamente, são três os fatores que se colocam como grandes empecilhos ao crédito para PMEs inovadoras: o histórico de crédito, as garantias e a questão da Curva J.

 

 

Histórico de crédito

O que inicialmente mais dificulta o acesso de empresas de inovação ao crédito é a forma como as análises de riscos são tradicionalmente estabelecidas. O mais básico nos manuais para essa atividade se fundamenta em avaliar o histórico financeiro das empresas. Ou seja, seu histórico de crédito. Entram nessa avaliação itens como geração de caixa, tomada e pagamento de créditos, nível de inadimplência, entre outros.

O problema é que esses são elementos que, para se caraterizarem como histórico mensurável, demandam um tempo relativamente longo para atingir uma maturidade consolidada. E no universo das PMEs inovadoras, muitas vezes simplesmente não existe esse tempo ou o que há é incompatível com as necessidades futuras da empresa.

Não é incomum que novos negócios, principalmente voltados para o empreendedorismo inovador, sejam lançados com recursos limitados e, em um espaço relativamente curto de tempo, alcancem um potencial de escala surpreendente. Assim, antes mesmo de terem tempo de construir um histórico sólido de resultados financeiros, passam a demandar investimentos que suportem seu crescimento.

Nesse cenário, mais relevante do que analisar o histórico de crédito é analisar a qualidade do plano de negócios e o histórico do time empreendedor. Apesar da aparente subjetividade, existem hoje metodologias objetivas e eficientes para tal avaliação.

 

 

Garantias

Outro ponto básico no modelo de concessão de crédito bancário é a exigência de garantias. Ou seja, ativos que forneçam um arcabouço de segurança para o agente de crédito. Patrimônio, equipamentos, ativos, bens são alguns exemplos.

Muitos empreendimentos de inovação não possuem ativos reais ou outros itens que possam servir como garantia em contratos de crédito tradicionais. Especialmente porque estamos falando em modelos baseados na agilidade e em conceitos intangíveis que, não raramente, exigem pouquíssimos equipamentos ou estruturas físicas.

Além disso, o valor dessas PMEs vêm muitas vezes de sua propriedade intelectual, rompendo com os paradigmas do capital produtivo como a propriedade de máquinas, imóveis, terrenos etc. Assim, o principal ativo desses empreendimentos é seu capital intangível em vez do capital financeiro ou de ativos com liquidez.

Com isso, e somando o problema do histórico de crédito, fica claro o quão discrepante pode ser a dinâmica dentro da qual está estabelecida a concessão de crédito tradicional e a dinâmica sob a qual opera o agitado mercado de inovação brasileiro.

A alternativa aqui é um pouco complexa. Envolve encontrar agentes que apostem nos fundamentos de valor desse ativo intangível e ofereçam uma garantia real lastreado nesse intangível. Ou, ainda, que esteja disposto a trabalhar com estruturações mais complexas e criativas, que encare diretamente esse ativo não tradicional. Esta é uma questão que será aprofundada futuramente aqui no blog.

 

 

A Curva J

Explicando de forma bastante simplificada, a Curva J (do inglês “J-Curve”) é um modelo gráfico que demonstra a evolução do fluxo de caixa em empreendimentos de inovação. Um gráfico que, como o nome dá a entender, tem a forma da letra J.

 

J Curve ou Curva J - comportamento típico do fluxo de caixa de negócios inovadores

J Curve ou Curva J – comportamento típico do fluxo de caixa de negócios inovadores

 

 

Esse gráfico representa uma acentuada queda inicial que pode ser analisada como investimentos consumidos sem retorno. A partir de certo ponto, ela começa a subir gradativamente, até ultrapassar a linha de início, representando o momento em que a empresa começa a trazer resultados maiores que o investimento feito. A análise de crédito tradicional olha sempre para trás, para o histórico, ignorando todo o retorno que esse investimento pesado no início de vida de uma PME inovadora pode gerar.

No caso de PMEs inovadoras, a análise deveria focar-se menos no curto histórico de resultados negativos e mais nos fundamentos relacionados à escalabilidade do negócio, como tamanho de mercado e capacidade de execução do plano de negócios. Essa abordagem é bastante comum em segmentos tradicionais de grandes investimentos, como obras de infraestrutura e o setor imobiliário, que também apresentam Curva J.

Acreditamos que é possível traduzir e planificar o negócio em termos palpáveis para que os agentes de crédito possam entender e digerir esses novos tipos de negócio assim como foi em outros setores. Essa mudança não ocorrerá do dia para a noite, dependerá do amadurecimento do setor, da criação e evolução de metodologias criativas e inteligentes.

 

Como obter crédito para o empreendedorismo inovador no Brasil?

As muitas adversidades e discrepâncias entre o que é exigido e o que é realidade para o empreendedorismo inovador justifica o baixo interesse de PMEs em buscar crédito. No entanto, negócios inovadores exigem soluções inovadoras, que sejam inteligentes e criativas. Ou seja, é preciso que haja novas abordagens capazes de alinhar os interesses das duas partes. E isso é possível!

É aí que entram os facilitadores de crédito especializados em planejar, desenvolver e colocar em prática estratégias de financiamento. Especialmente aquelas focadas em empreendedorismo inovador. Para isso, valem-se de muita técnica financeira e arranjos de negócios, sempre sob a ótica da inteligência e da criatividade. Aqui na Supernova estamos fazendo exatamente isso desde 2014.

Isso porque, como já foi mostrado, é necessário que haja um profundo entendimento dos problemas, obstáculos e desafios para encontrar esse tipo de financiamento. Somente empresas que estejam imersas nessa realidade são capazes de encontrar soluções absolutamente customizadas à realidade de cada negócio.

Acreditamos que estamos no início de um novo momento da sofisticação financeira para negócios no Brasil. Por enquanto, há muito gelo para ser quebrado, metodologias a serem desenvolvidas, fidelidade à técnica e aos fundamentos e muito trabalho de convencimento e explicação. Para nós, isso vale a pena e pavimenta um futuro muito melhor para o empreendedorismo inovador.

 

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